Grandiosidade

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Neste último domingo, fiz algo que esperava há muito tempo. Ir a um show de alguém que tenho admiração absurda, Bobby Mcferrin. Não apenas o considero um dos maiores vocalistas de todos os tempos, como também suas atitudes como músico me desconcertam. Sua posição no showbusiness após "Simple Pleasures" era de um superstar pop, ganhando vários grammys com um disco absurdamente bem feito e além de tudo tinha o "hino" Don´t worry, be happy. Se quisesse, poderia fazer vários "Simple Pleasures", pois era isso que a gravadora e idiotismo geral queriam. Mas ele acreditava e acredita que a música é uma linguagem que está muito além do mercado fonográfico, então continuou arrancando de sua voz coisas que não cabiam nas ondas sonoras das fms – suas experimentações soam chatas àqueles acostumados a linearidade de notas "lindamente costuradas". Seu disco "Hush" em parceria com Yo Yo Ma é obrigatório. Bobby Mcferrin sempre teve um pé no jazz e o outro no erudito e a África sutilmente unindo-os. O resultado obtido disso é a mais pura poesia vocal, consegue arrancar algumas abstrações de sua garganta e as distribui da forma mais gentil aos nossos deteriorados ouvidos. Chega a assustar – tamanha é a força do seu canto. Além de tudo isso, o senhor Bobby entra no palco de camiseta preta e uma calça jeans velha, onde apenas uma cadeira, um microfone e uma garrafa de água o aguardam. No meio do show pede para as pessoas subirem ao palco: alguns cantam, uma moça dança coreografada pela sua voz (que privilégio), vários são regidos por ele no palco. Bobby Mcferrin é isso: um artista ímpar que faz com que as pessoas não apenas o cultuem como senhor do palco, mas o invadam assim como sua arte as invade. Bobby Mcferrin é um artista na essência absoluta deste que busca através da sua criação não apenas uma troca, mas a ampliação das suas descobertas, nas descobertas do outro. Podemos chamar essa sua simplicidade e cumplicidade de GRANDIOSIDADE.




*Alguns famintos por "sucessos" Ferrinianos saíram cuspindo marimbondos, pois ele não tocou nenhum. Eles só gostam das músicas mais famosas? Devem ser daqueles que só compram coletâneas de sucessos, como se o trabalho do artista em sua totalidade não tivesse importância.

Se foderam!!!

Comentários

Juliana Delmonte disse…
Meu querido amigo Zé,

O que dizer?

Já disse no post abaixo ;)

Para cada galerinha-super-super-inútil, tem uma mente como a tua. Acho justo.

Beijos e nos vemos por aí...
Moacir Novaes disse…
Belo texto Zé. Quem lê não apenas sente o que você passou, mas tbm compreende como é passar. Vc não só leva as pessoas nos seus passos, como faz também elas pensarem na razão do próximo passo.

Vc é metal pesado e ao mesmo tempo ouro fino nessa liga.