Os peixes nadam no aquário…



Tudo é estático e pára.
Circula por tudo. Anda, anda, anda e volta.
Fica sempre no mesmo lugar sem possibilidade de fuga.
Nada acontece.
O telefone toca. A folhas farfalham. Dorme-se. Vivem.
O que aconteceu?
Em nenhures cousa alguma muda.
É tudo sempre o mesmo desde muito tempo.
O mesmo tempo. A mesma vida. O mesmo nada.
Nadices amareladas pelo tempo parvo inócuo.
O simulacro cotidiano, a teima em sobreviver.
O apego a essa insignificância, o medo do estranho.
Os costumes, as manias, o léxico fático.
Os peixes nadam no aquário…


Comentários

Ninil-Zé disse…
Como de costume, suas postagens sempre me agradam. Sua construção poética é belíssima e os temas são providenciais. A confirmação e reflexão sobre esse simulacro como condutor e criador de mundos é angustiante, mas necessário. Exorcizá-lo é existencialmente mais importante ainda.
Novamente parabéns.
juliana delmonte disse…
Muié gostóósa e intéééligente!