Sete linhas. Muitas páginas. O sentido da vida.

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O sentido da vida.
Se perguntar.
E é justamente a pergunta que guia os homens.
Se tiver tempo.
Se parar e por alguns instantes pensar qual é o sentido dessa vida.
Você irá certamente compreender.
Que a resposta que procura está na sua pergunta.

As sete primeiras linhas da poesia bastam.
Explicam o que é viver.
Mas sei, que a pergunta se mantêm ecoando dentro de você, não é?
Não seríamos humanos se apenas essas sete linhas fossem o suficiente.
Tornam-se necessárias então muitas palavras, muitas páginas, muitos livros, muitas religiões...para entender.
Afinal, o que busca-se explicar é sentido da vida e tal resposta não pode ser simples, não é?
Ela tem que ser de natureza misteriosa. Com uma definição que escapa, que existe, mas escapa da boca.
Creio...
Que as escolhas. Os erros. A força. A poeira. A palavra. O pensamento. O nada. Os verbos.
Os mares. O véu. A revelação. A dor. As cartas. A morte. O vento. A escuridão. O farol. Eles e tantos outros, são partes isoladas dessa resposta.
Do sentido que tanto procuramos e que, de tão sutil, adquire tom invisível.
Creio...
Que o sentido, não é a arte que permanece através de gerações, mas sim o olhar capturado pelas emoções dos artistas. O sentido não é o amor que procuramos e que nos completa, mas aquele que concedemos. Sem motivo. O sentido não é a ira que consome sonhos e refaz mundos, mas a calma de aceitar a mudança.
Não é o bem. Nem o mal. Não está na bondade de um santo ou na conversa de um demônio.
O sentido da vida é uma resposta que, por sua simples existência, sela todas as perguntas.
E instiga a humanidade a continuar perguntando.
Instiga-me. Encerra-me. Desafia-me. E eu...como tantos outros tolos e sábios, pego-me pensando.
Qual o sentido da vida?
Engraçado...Pois às vezes imagino, se fazer tal pergunta, não nos conduz para mais longe da resposta.
Talvez essa seja exatamente a armadilha da vida, aquilo que nos impede de ver a verdade.
A pergunta.
Afinal, se você apenas perguntar irá deixar de encontrar as respostas.
Não vai saber por que Jesus escolheu morrer entre dois ladrões.
Não vai compreender por que Buda escolheu o caminho do meio.
Não vai entender por que tantos outros, antes e depois destes, viveram suas vidas entre nós.
Não vai ver o motivo que todos os dias faz você despertar e prosseguir.
Não vou. Mas você precisa viver. Não estou. Mas você precisa viver para entender.
Não sou de sorrir. Mas quase sinto-me feliz por chegar até aqui.
Sabe...você precisa perguntar e precisa viver suas respostas.
As vezes você precisa viver para compreender o sentido. Esquecer a pergunta. Não saber a resposta.
E viver.
Sabe...nas noites silenciosas, quando sinto-me mais arrogante.
Quando tudo está calmo e não há ninguém por perto para lembrar-me que sou somente humano.
Nessas horas...
Permito-me encontrar o tal sentido. Do qual falamos tanto.

O sentido da vida.
Se perguntar.
E é a pergunta que guia os homens.
Se tiver tempo.
Se parar e por alguns instantes pensar qual é o sentido dessa vida.
Você irá certamente compreender.
Que a resposta que procura está na sua pergunta.
A vida é o sentido.


Moacir Novaes

Comentários

Zé Raimundo disse…
Maravilhoso texto Moa. Iluminou a página da Liga e o meu dia. Complemento com um pensamento de Drummond: "Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida."
J. Lopez disse…
Lindo texto, como sempre inspirador... E eu reforço o que disse o caro poeta em cima, só que com outro verso de Drummond:
"Clara manhã, obrigado,
O essencial é viver!"

Brilhe sempre, Moa.
Beijo.
Juliana Delmonte disse…
Moa, gostei muito do texto. Principalmente por perceber que o seu texto é sua pergunta e sua resposta. Sua dúvida e sua sublimação.
Beijo, meu amigo.